quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O amor em dança



Fico sempre perplexa com o dom que a vida tem de nos surpreender e de nos dar presentes de formas variadas. Hoje após passar a noite e o dia inteiro com um mal estar terrível no estômago, simplesmente tomei meu remédio, a cura pra minha dor, recebi uma dose de amor (e olhe que nem estou falando de minha Mãe, que já me deu chás, fez sopa, e ta apavorada com a possibilidade de eu ficar doente). Contrariando a todas as professoras de gramática, que sempre me disseram que o amor é um substantivo abstrato (aquilo que não se vê, não toca apenas sente-se), eu vi o amor, eu o vi em forma de dança.


Foi durante a apresentação de um casal chinês competidores de patinação artística, nas olimpíadas de inverno que estava sendo transmitida por uma emissora de TV. Eu que não sou especialista do assunto nem fã do esporte em questão, fiquei parada na frente da televisão vendo aquela apresentação que apenas um adjetivo traduz, PERFEIÇÃO. Algo havia naquela apresentação que me transmitiu Amor. Não era só o jeito como eles dançavam, nem a forma como eles executavam as acrobacias, não era a perfeição das manobras que chamou a minha atenção, acho que tem mais haver com a sincronia dos dois, a forma como eles se olhavam e como olhavam para todos na platéia. Então todo o treino de anos, toda abdicação de vidas pessoais, todo suor para conseguir executar tais movimentos com precisão, tudo isso foi simplesmente reduzido a nada diante de algo que jamais precisou de ensaio, ou técnicas, porque o que no fundo acabou transformando aquilo tudo em magia foi o amor que havia entre os dois.


Foi ai que passei a compreender tudo o que os meus olhos viam, meu coração sentia mais minha razão não entendia. Esse casal levou a medalha de ouro, e o comentarista disse: “eles são um casal e isso fez toda a diferença”.


Eles são um casal, tomei aquilo como algo literal, porque quantos de nós estamos juntos mais nunca perto? Casais que jamais foram parceiros, cúmplices, ali naquela apresentação existia amor, não apenas o amor que também foi o tema da apresentação, mas o amor que eles conheciam e viviam.



E em meio a entrega das medalhas de ouro eu fiquei em dúvida se aquela medalha era pela apresentação perfeita, ou pelo amor dos dois. Acho q até o comentarista se confundiu diante de tamanha emoção, visto que ele narrava a vida dos dois e não as técnicas (risos), ele falava dos planos do casal e até do filho que estão planejando ter. Eles seriam os filhos do casal de ouro, filhos do amor que vale ouro.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Sinceridade...


Uma determinada vez eu ouvi de uma grande amiga que a sinceridade quando é usada para magoar uma pessoa querida, ela deixa de ser uma qualidade e passa a ser um defeito. Entretanto, hoje eu descobri algo que vai além desse belo ensinamento de minha amiga, eu descobri que você pode dizer todas as verdades mais sinceras que lhe for conveniente, mas prepare-se, pois quando você o faz, abri várias portas e janelas do seu ouvido automaticamente, para todas as coisas que pode não lhe ser agradável.


A educação que recebi da minha família, me diz que existem verdades que jamais devem ser ditas (droga, as vezes queria não ter sido educada!). Da pra entender os seres humanos? Vivem dizendo que querem a verdade, a mais pura verdade, e quando um tolo cai na asneira de assim o fazer...


Agora uma coisa que na minha incompetência não consegui até agora descobrir, é, em que capítulo das escrituras sagradas esta, em que parágrafo de qual decreto Romano foi deixado, em que lei do século XVIII foi outorgado, que todas as pessoas podem sempre me magoar seja com palavras ações ou atitudes, mas eu simplesmente nunca posso magoá-las?


Mesmo sendo magoada, devo me reservar apenas o direito de permanecer calada? Você vai ofender-me e eu permanecerei inerte? “A melhor resposta é aquela que não se da?!”, eu prefiro acreditar que não tive mesmo foi o que responder (risos).


Eu não posso admitir isso, não seria ‘eu’ se fosse dessa forma, mesmo porque, de tudo que eu possuo, a minha expressão é o que tenho de mais verdadeiro. Não mesmo, todas as vezes que eu puder usar da minha sinceridade para me proteger, assim o farei. Usarei de todas as armas que possuo para defender-me, e se necessário, ofenderei sim, toda e qualquer pessoa que ousar tentar contra a minha paz.


Pra terminar, confirmar e reafirmar tudo o que escrevi, usarei do trecho de uma música de Erasmo Carlos, que suponho, sabe mais da vida e de música do que eu; “Sinto muito mais não vou medir palavras, não se assuste com as verdades que eu disser. Quem não percebeu a dor do meu silêncio, não conhece o coração de uma mulher...”



Ilmara Cecília.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Desabafo!


Hoje eu acordei mais cedo (trecho de uma poesia de Saulo Fernandes), na realidade ainda nem dormir, tenho trocado habitualmente o dia pela noite, e mesmo já sendo dia, ainda não consigo dormir. Tudo isso por causa dessa busca insuportável e demasiado cansativa pela perfeição, afinal, essa é, e só pode ser, a única explicação para o fato de eu estar até agora (10:00 Am) sem pregar os olhos me martirizando por conta de algumas bobagens (tolices, que jamais me levariam presa) que andei falando por ai ao vento. Coisas das quais, só porque fui altamente recomendada a não revelar, num momento de raiva e impulsão (coisa que tento controlar, mas nem todo dia é dia santo) induzidamente acabei “soltando”. Foram coisas da minha própria vida (não cultivo o hábito de falar da vida alheia, e quando o faço me martirizo ainda mais), problemas dos quais ninguém precisava saber, até porque não poderiam me ajudar.


Quando minha mãe reluta em dizer que minha amiga é ela, pois, é meu real alicerce e apoio pra qualquer hora, tenho sempre a mania de discordar dela (não discordo que ela é minha melhor e maior amiga, porém se eu deixar de acreditar nas pessoas, deixo automaticamente de viver), mas com toda sua sabedoria que as vezes me parece até uma vidente (bruxa), ela acaba sempre tendo uma ponta de razão. Tenho amigos (bons amigos até), porém em certos momentos a gente se sente sem chão, e tem-se a nítida sensação de que todos eles não passam de meros oportunistas de seus momentos bons, porque quanto a “toca aperta” como diz a sábia D. Ilma Cecília (minha mãe), o chão se abri e você acaba caindo inesperadamente sozinho no abismo de incertezas.


O que mais esta me irritando nisso tudo (além de ter perdido meu sono), é essa coisa horrível de não esta conseguindo me perdoar. Eu sempre prego isso, que devemos nos perdoar pelas nossas falhas (Hora, pois, esta é uma tarefa dificílima, e põe dificuldade nisso), visto que estamos no mundo pra cometer erros, afinal se não fosse para ser assim pra que ‘zorra’ seríamos imperfeitos? Se não fosse pra ser assim, estaríamos no Jardim do Éden ainda, eu sem preocupação e a humanidade sem tantos outros problemas. Comparando os problemas da humanidade com os que estou tendo, os meus tornam-se poeira de estrelas. Sim, mais e daí? ‘Tô’ nem aí pra o problema do mundo nesse momento (perdoe-me senhor, mas jamais neguei meu egoísmo, e acredito que diante da dor que estou sentindo tenho até o direito de um fleche de egoísmo que pode chegar a se tornar desumano, mas isso logo passa, logo volto a me preocupar com a fome da África e com o problema do Haiti)), essa é a minha raiva, esse é o meu momento de revolta, deixe-me ao menos viver esse momento. Já que nem consigo me dar um segundo de respiro aliviado, deixe-me agoniar-me nas minhas lamentações e culpas por não ser tão controlada emocionalmente quanto minha mãe gostaria que eu fosse. Acredito que só irei melhorar (isso não é uma certeza), quando meu “chão” voltar, meu porto seguro está viajando. O fato de estar sozinha agrava ainda mais o quadro. A solidão tem o ‘dom’ de trazer das travas tudo que há de mais sombrio em nós, traz todos os nossos medos e intensifica as nossas angustias, nos deixa fraco. Aliás, em que momento eu disse que sou forte? Se eu souber quem plantou essa mentira eu mato, juro que mato (mais um exagero momentâneo, mas por via das dúvidas, mantenham as facas longe de mim durante esse período), eu não sou tão forte assim não ok? E também não sei até quando posso suportar tanta pressão. Preciso encontrar alguma válvula de escape com urgência... Válvula esta que não pode ser de jeito algum minha boca, pois tudo que entra ou dela sai, tem acaba de algum modo me fazendo mal.


Ilmara Cecília.

A Metamorfose...






Me chamo Ilmara Cecília, tenho 21 anos e algumas histórias pra contar dessa minha vida que esta só começando.





Bom, desde que tenho consciência do que é ser gente, que enfrento o problema de excesso de peso. Sempre a gordinha da família que mais comia nas ceias de natal, nos aniversários e qualquer lugar, a que levava a culpa quando sumia algum chocolate.





Sofri muito na infância com apelidos cruéis, alguns deles vindo de pessoas muito próximas, que me apelidavam com termos que nem valem a pena citar.





Na escola, eu era a gordinha engraçada. Esse era meu jeito de estar inclusa no “meio”, um jeito de estar entre as pessoas “normais”. Foi aonde também adquiri boa parte dos traumas que carreguei até pouco tempo na minha vida.





Na adolescência não passei por algumas experiências comuns a todos os jovens da idade, por rejeição, por preconceitos próprios e sem dúvidas preconceitos externos também, sem hipocrisias, pessoas obesas não são bem vistas pela sociedade. Não existe lugar nela para obesos.





Quando criança, sentia fortes dores no joelho, por conta do excesso de peso. Passei algumas noites de minha infância sem dormir por dor. O médico chamava minha mãe atenção, que eu devia fazer dieta pra perca de peso. Esse problema do joelho logicamente só fez se agravar com o decorrer dos anos e com o aumento de peso gradativo. Desloquei a rótula do joelho umas três vezes. Detectou-se um exporão na rótula de um dos joelhos, mais até pra operar era necessário perder peso. Depois também foi descoberto princípio de artrose nos dois.





Ainda na adolescência, mais especificamente aos 17 anos, tive início de derrame, minha pressão subiu pra mais de 20. Lembro-me que estava na escola fazendo uma prova de física (também pudera a pressão não subir!), quando comecei a passar mal. Quando cheguei ao hospital com minha mãe fui internada imediatamente. Foi um drama, já não sentia metade do meu rosto, ficou adormecido. Não estou morta, nem com o rosto deformado hoje, porque Deus existe mesmo.





Depois disso fui mesmo obrigada a fazer dieta, foi a primeira vez que fiz uma dieta de verdade, claro que desde pequena que médicos endocrinologistas (odeio todos até hoje..rs!) me mandavam tomar shaks (eu só tomava porque tinha sabor chocolate), e até fórmulas (nunca cheguei a tomá-las). Mais dessa vez não, fiz mesmo dieta, nada de remédios, e fui pra academia. Consegui emagrecer 26 quilos.





Alguns meses depois acabei como muitas história que ouvimos, engordando tudo novamente, e com mais alguns de bônus.





Não sei bem o que me fez tomar a decisão, mais sei que quando aconteceu não teve nada que me fizesse voltar atrás. Nem mesmo o medo de minha mãe me fez se quer repensar a minha decisão. Fora a ajuda decisiva de um amigo da família que com seu depoimento fez minha mãe ver que não era o fim da minha vida e sim a tentativa de um começo, também usei de uma fala que fez com que minha mãe não tivesse mais medo. Visto que seu medo era uma preocupação maternal (que costumam mesmo serem exageradas!), disse pra ela: “A senhora tem medo de que? Que eu morra na mesa de cirurgia? Pois é mais provável que eu morra aqui agora em sua frente. Eu sou uma bomba relógio, e posso explodir a qualquer momento”. Deu certo, a partir daí só tive o apoio incondicional, e não sei como seria sem ela, nas últimas fases então, se não fosse minha mãe por perto pra me apoiar e me dizer palavras de conforto e fé, sem dúvidas nada teria sido como foi.





No processo pré-cirúrgico, tudo correu de forma tranqüila, todos os exames e laudos até mesmo a perícia que é o grande medo, tudo de forma perfeita me mostrando que era mesmo pra ser. Com a cirurgia não foi diferente, também com o médico que Deus colocou no meu caminho, não havia como não ser, Dr. João Ettinger, esse é o nome do homem que me ajudou a mudar minha vida.





Dia 20 de outubro de 2009 completei um ano de operada, hoje após um ano e quatro meses de cirurgia, já emagreci 52 Kg (até agora). Tenho vivido situações que sempre desejei. Estou realmente sendo feliz, vivenciando e deliciando cada nova conquista. Sei também que a luta não acabou, ela é contínua, ainda estou em processo de “metamorfose”. A cirurgia nos salva, mas não extermina a doença da obesidade, temos que estar alerta. Porque junto a cirurgia deve haver uma mudança de pensamento e modos alimentares.





Descobri o que é a vida, o que é realmente viver. Obesos não vivem, vegetam!





Poder escolher roupas e não ser escolhida, porque agora várias cabem. Poder entra em uma loja sem ter vergonha e sem o medo de ser humilhada por vendedoras cruéis. Poder cruzar as pernas. Ser chamada de gostosa (mesmo fazendo cara feia a gente adora, o EGO agradece). Não ter mais sossego na rua ao passar, porque os homens não deixam em paz, RS! Não ter só o meu rosto elogiado! Ter as calças caindo e poder ver ossos que nem sabia q tinha. Até osso nos pulsos eu já estou vendo.
Mais pra mim, o mais importante é finalmente estar em PAZ. Isso só esta vindo agora, finalmente estou realmente acreditando no meu potencial. Sinto-me verdadeiramente linda e capaz de tudo agora. Encontrei uma frase (e tatuei em meio corpo) que traduz perfeitamente o que me levou a cirurgia bariátrica, “...vontade de viver mais, em paz com o mundo e comigo!”





Agradeço a Deus, a minha mãe, Dr. João, e alguns amigos e familiares que estiveram presente não só na fase da cirurgia como em tantos outros momentos importantes da minha vida, bons e ruins. Graças a vocês sou hoje, e finalmente FELIZ!